* Maria Lúcia Costa Rodrigues




Com a leveza de uma brisa o livro conta em imagens a história de um menino que vivia descalço, cabeludo, despenteado e fugia da mãe para não ter de pentear e cortar seu cabelo.

Nas suas peripécias, brincadeiras e explorações ao ar livre com seu cão, o menino não percebeu uma sementinha que começou a brotar na sua cabeça, acidentalmente deixada por um pássaro. A semente germina e o menino, depois de várias tentativas de regá-la sem sucesso, resolve molhá-la entrando embaixo do chuveiro, mas isso não pode durar muito tempo, afinal, planta cresce ( menino também!), e muitos perigos ela poderá enfrentar. Os dias e anos passaram para os três: menino, planta e cão trazendo mudanças no ciclo, bem - vindo, da vida.

Essa delicada narrativa visual com desenhos aquarelados, apresentando várias cenas em uma mesma página, lembra a linguagem dos quadrinhos, e na suavidade das cores e traços de Michael King, nos deliciamos com esse menino levado, explorador e sensível questionando o quanto dessa sementinha de infância, nós, adultos estressados e mal humorados ainda carregamos.


KING, Stephen Michael, trad. Gilda Aquino

Folha, 2008.


*Mestranda em Patrimônio Cultural e Sociedade e pesquisadora voluntária do PROLIJ – UNIVILLE.
Áurea Cármen Rocha Lira

Um convite à leitura pode ser feito de muitas formas. O jonvilense Juarez Busch Machado, artista plástico, pintor, escultor, desenhista, figurinista, cartunista, cenógrafo, pesquisador em Comunicação Visual, preferiu fazê-lo com pegadas, as quais são dispostas desde a capa em seu premiado Ida e volta, livro desenhado em 1969 e publicado no Brasil apenas em 1976, quando já era conhecido na Europa e que recebeu, entre outros, o prêmio “Nakamore Prize” do Japão, em 1977 e prêmio de “O Melhor Livro sem Texto” da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, em 1981. Tais pegadas fisgam o leitor a acompanhá-las, na ânsia de descobrir seu dono e para onde caminha. À medida que prossegue a narrativa visual, percebe-se que a protagonista da história não será fisicamente revelada ao longo do texto, cabendo ao leitor imaginá-la a partir das modificações que ocorrem nos ambientes que passa, como as pegadas que viram marcas de sapatos masculinos e que podem revelar ser um homem, tomar café ou chá sozinho pode representar que seja solteiro ou comprar flores e entregá-las a uma senhora pode demonstrar o quanto é gentil. As marcas da personagem não serão seguidas apenas pelos olhos do leitor: aparecem durante a narrativa as pegadas de um cão e as de um homem que com pernas-de-pau anuncia o circo. Adiante, o rastro de uma bicicleta revela que o homem não anda mais a pé até o momento que esbarra em uma escada e tintas, necessitando de banho, cena que fecha e abre essa criativa obra aberta que marca um novo tempo em nosso país, pela iniciativa pioneira de seu autor que soube dizer com imagens quando tantos só o faziam com palavras.




Ida e volta



MACHADO, Juarez Busch.

Rio de Janeiro, Editora Agir, 1998, 32 p.
Alencar Schueroff



“Onda” fala de um encontro entre uma menina e o mar. O que será mais profundo? Ambos se mostram curiosos, misteriosos e surpreendentes. Eles se curtem bem devagar, procurando entender um ao outro, sabiamente. Por serem providos de sentimentos sinceros e sempre ávidos por novas conquistas, falam-se francamente e mostram-se em todas as suas nuances, texturas, cheiros. Enfim, Suzy Lee, a autora, mostra-se coerente ao integrar traços singelos e uma narrativa (visual) delicada.


Onda


LEE, Suzy.

São Paulo, Editora Cosac Naify, 2008, 38 p.
Autora de O que é literatura infantil? (1986), da Coleção Primeiros Passos da Brasiliense, entre outros, Ligia Cademartori surpreende pela qualidade, leveza e pertinência de argumentos e reflexões com seu O professor e a literatura para pequenos, médios e grandes, editado pela Autêntica, em 2009.

Abrangente – abordando temáticas que passam por questões de gênero, importância da leitura (independentemente de faixa etária), caminhos da formação do leitor, aventuras narrativas, poéticas ou de viagem, encontros e desencontros do mundo da fantasia com o da inocência - a autora sem pressão e, aparentemente, sem esforço, clarifica o valor inalienável de se ler um bom texto.

Fugindo aos modelos de obras sobre literatura endereçados a professores, Cadermatori avança na discussão do papel do livro nos diferentes momentos de vida de cada um, reforçando a ideia do espaço que ele, o livro, ainda detém e que, possivelmente, não perderá tão facilmente quanto se vem imaginando.

Citando pensadores como Manguel, Calvino, Proust, Sartre, Suassuna, Sontag, Piglia, Ligia vai costurando material farto e irretocável do poder exercido por uma boa narrativa sobre seus ouvintes ou leitores. E tudo isso permeado pelo desejo de a leitura ser um ato que independa da escola. Se o for, que chegue o tempo de o professor ser - também ele - parte da imensa minoria (palavras de Juan Ramon Jimenez) que se interessa verdadeiramente por livros.


CADERMATORI, Ligia.

O professor e a literatura para pequenos, médios e grandes.
Belo Horizonte, Editora Autêntica, 2009, 128 p.


SUELI DE SOUZA CAGNETI
Coordenadora do PROLIJ - UNIVILLE

Para aqueles que trabalham com ilustração de livros e para aqueles grandinhos que amam ver ilustrações de livros para crianças e jovens, folhear este volume, com selo de altamente recomendável pela FNLIJ, é um balsamo para os olhos e a mente. Afinal, é muito mais tranquilo ler a imagem quando se entende os meandros de sua criação.

Organizado por Ieda de Oliveira, o livro é uma coletânea de artigos e depoimentos acerca do universo da ilustração; nomes consagrados como Rui de Oliveira, Ângela Lago, Ciça Fittpaldi, André Neves, Nelson cruz, Odilon Moraes e Marilda Castanha estão entre os vinte e tantos ilustradores convidados para o trabalho.

A parte histórica é destacada por artigos de Rui de Oliveira que traz um breve histórico da ilustração no livro infantil e juvenil; Odilon Moraes discute o projeto gráfico do livro priorizando a trajetória do ofício de ilustrador e as mudanças ocorridas na concepção do livro com o surgimento das universidades e da imprensa ao longo dos séculos; ele também entra na história da ilustração com foco nas diferentes técnicas de produção, comentando toda a trajetória da imagem de cunho narrativo chegando à xilogravura, à litogravura e passando pelas linguagens contemporâneas, atentando para o perigo dos modismos que muitas vezes tomam conta das produções e empobrecem a expressão nos trabalhos atuais, pelo fato de o ilustrador ter à sua disposição uma gama de ferramentas digitais que oferecem uma infinidade de recursos visuais.

Outros temas como elementos visuais, narrativa visual e relações intertextuais são abordados no livro. Também ganha destaque seu projeto gráfico de autoria de Ana Sofia Mariz, como não poderia deixar de ser num livro no qual o assunto é ilustração; traz um pequeno texto sobre o design do livro, uma beleza à parte, pois, dar unidade ao texto que traz diferentes visões e expressões plásticas a cada artigo ou depoimento, é um desafio que a design, mestre em seu trabalho, desempenhou com sabedoria.

São esses fatores aliados ao empenho de Ieda de Oliveira na organização desse livro que faz dele leitura obrigatória para pesquisadores e estudantes da área da literatura, design e artes visuais.



OLIVEIRA, Ieda de.(org) O que é qualidade em ilustração no livro infantil e juvenil: com a palavra o ilustrador. São Paulo: DCL,2008.

Maria Lúcia Costa Rodrigues
 Mestranda do programa de Mestrado em Patrimônio Cultural e Sociedade
e pesquisadora voluntária do Prolij - UNIVILLE




Irmã para mim só tem uma....
Mas, para Guto Lins, Irmãs são tantas, fazendo-se de inúmeras e bonitas formas.

Sempre encantam e nos gestos mais simples deixam transbordar o carinho, a atenção e o amor.

Irmã faz parte da família e, na família de livros, destaca-se pela delicadeza da ilustração e sensibilidade do texto.

Irmã é assim (p.34).

 
Título: Irmã (Coleção Família)

Autor: Guto Lins
Ilustração: Guto Lins
Editora: Globo, São Paulo, 2009, 38 p.





Silmara T. de Souza - Uma irmã
Em tempos de discussão da diversidade e da inclusão, uma obra, cujo título seja Representações do negro no modernismo brasileiro: artes plásticas e música é, no mínimo, instigador. Quando uma lei federal inclui de forma arbitrária o estudo da negritude, em suas diferentes facetas (social, cultural, histórica, literária), no ensino fundamental e médio, obviamente pega professores desprevenidos, para não dizer, despreparados para a tarefa em questão. Ressalvado o mérito do gesto - há muito um débito para com os que conosco fazem parte do que seja o Brasil - há que se ter subsídios para a sua inclusão e discussão no âmbito escolar. Daí a ser muito bem-vinda a obra de Renato de Sousa Porto Gilioli, a qual, através de nomes significativos do modernismo no Brasil, como Mário de Andrade, Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Anita Malfati, Di Cavalcanti, Cândido Portinari, vai discutindo com o leitor questões como o negro na representação nacional, música e mestiçagem cultural, o negro como curiosidade, a estética da mestiçagem. Para além das reflexões presentes e do encarte das obras dos artistas citados, vale lembrar que a temática em si se justifica como leitura recomendada, uma vez que sem o movimento modernista, possivelmente, as falas e escrituras que encontramos hoje sobre a cultura afro não teriam a mesma relevância.






GILIOLI, Renato de Sousa Porto.

Representações do negro no modernismo brasileiro: artes plásticas e musica.
São Paulo, Best book, 2009, 168 p.

 
 
 
 
 
 
SUELI DE SOUZA CAGNETI

Coordenadora do PROLIJ

Através das palavras de índio da cultura do povo munduruku, o autor Daniel narra o conhecimento e as experiências dos povos indígenas num texto que constrói com muita arte.

A obra traz quatro histórias com pitadas de suspense e terror. A primeira narra como se livrar de um ser aterrorizante de sonos infantis a “matinta perera”, figura folclórica que nos conduz à reflexão da busca do autocontrole e do medo. A próxima história é do povo Makuxi. Esta é cheia de segredos e encantos fantásticos dos rios amazônicos e do boto homem. A próxima, a história do “Vira-porco”, remonta aos mistérios do povo Saterê e à relação entre a nação indígena e os portugueses quando chegaram ao Brasil. Já a última história conta uma batalha entre dois povos e os procedimentos pós-guerra com os mortos e a conseqüências de atos realizados.

Assim, com sensibilidade das folhas das árvores, das flores, do cheiro da mata, do barulho do rio, o índio da nação munduruku evidencia nas histórias que estas foram ouvidas com muita atenção e agora as reconta para descongelá-las e torná-las vivas.

 
 
Livro: Histórias que eu ouvi e gosto de contar

Autor: Daniel Munduruku
Ilustrações: Rosinha Campos
Editora: Callis, 2004.


Alcione Pauli

Mestranda em Patrimônio cultural e sociedade e Pesquisadora voluntaria do Prolij– UNIVILLE
De todos os modos, seja pela importância social, pelo avesso e polêmico cidadão, por sua jornada editorial à grandiosidade literária, por um tempo-espaço destinado à infância ou através do uso inventivo da linguagem, pelas acirradas críticas de sua experiência com o movimento modernista ou mesmo à custa das lutas relativas ao petróleo, enfim, várias facetas foram exploradas pelos estudiosos de Monteiro Lobato.

Afinal de contas, que frutos poderiam render ainda o estudo do “Andersen brasileiro”? Pois para a apaixonada e atenta pesquisadora Eliane Debus, Monteiro Lobato e o leitor, esse conhecido, editoras da UFSC e Univali, 2004, um aspecto muito relevante precisava ainda ser explorado: o leitor Lobato e os leitores de Lobato.

No intuito de discutir “todos os caminhos que levam à leitura” como foi intitulada a primeira parte de sua obra, a autora busca o itinerário do Lobato-leitor, as palavras que encantaram quem também resolveu encantar usando a mesma linguagem da literatura. Com momentos sensíveis de sua trajetória como faminto leitor aos espaços da biblioteca e da escola.

Num segundo momento, Eliane discute a recepção crítica, as implacáveis censuras e a permanência da obra lobateana. Segue a terceira parte de seu estudo “as marcas da leitura” passando dessa para a escritura nas “lembranças da meninice que jamais se apagam do cérebro adulto, mesmo quando esse receptador de impressões não consegue, por fraqueza senil, reter as da véspera”.

Por fim, a descoberta de um lobato epistolar: as espetaculares cartas enviadas pelos pequenos leitores e as respostas surpreendentes do pai da literatura infantil que, fazendo justiça ao título recebido, carinhosamente se correspondia com os filhos. Um Lobato missivista, das já conhecidas e emocionadas cartas dirigidas ao amigo Godofredo Rangel e editadas pelo próprio autor a esse maravilhoso e entusiástico estudo do leitor, esse conhecido.


DEBUS, Eliane. Monteiro Lobato e o leitor, esse conhecido.


Por Cleber Fabiano da Silva.

Pesquisador voluntário do PROLIJ - UNIVILLE

Lembra da velha música A Banda, do Chico Buarque? Pois é, havia o “homem sério que contava dinheiro” o “faroleiro que contava vantagem”, a “namorada que contava as estrelas”. Cada um na sua, vivendo paralelamente. Mas a banda os uniu. É ela quem faz todos caminharem numa só direção. De repente, nas profundezas do bosque, nos mostra, originalmente, uma pequena cidade que convive com um mal que acaba afastando os moradores uns dos outros: não existem animais. Em uma noite, todos desapareceram.

É até irônico pensar que as pessoas se desumanizam por causa dessa carência, mas é exatamente isso que acontece. A professora Emanuela é hostilizada por seus alunos quando explica o que é um urso. Almon, que era pescador e virou agricultor, mantinha, para o espanto de todos, um espantalho na horta porque achava que, de uma hora para outra, os pássaros podiam voltar. E assim, a vida seguia num silêncio ensurdecedor, o qual, à noite, tornava-se pior ao se mesclar com a escuridão.

Até que um dia, Mati e Maia, duas crianças inconformadas com a situação pela qual seu povo passava, após uma descoberta, resolvem se embrenhar no bosque, de onde já tinham ouvido sons estranhos, que pareciam de animais. As histórias costumam ser assim. Tudo anda de um jeito, “até que um dia...”. E aí vem uma virada. Ou não? O fato é que, de repente, nos vemos nas mãos de Amós Oz, que pode nos conduzir por mundos interiores.



Resenha do livro De repente, nas profundezas do bosque, do famoso escritor israelense Amós Oz, feita pelo professor Alencar Schueroff, do Curso Persona


Graça Lima, com sutileza e muita leveza nas cores e nas formas, apresenta cenas de uma história poética que narra a relação entre o índio e a natureza. Esta é sentida nas pinceladas verdes da mata e da água, água que, durante um por de sol, pode ter tons de lilás e laranja. A terra, a mata e os animais são homenageados com uma espécie de sinfonia das cores, em que todas as imagens narradas enfatizam a amizade projetada no título do texto, “Abaré”, que na língua tupy significa “amigo”.



Uma leitura que remonta, ou dá uma pitada do que pode ser, ou pode ter sido um dia de um pequeno índio que, na narrativa, de Graça Lima, não desbota.


Ficha técnica:



Livro: Narrativa visual - Abaré
Autora: Graça Lima
Editora: Paulus
Ano: 2009






Alcione Pauli

Mestranda em Patrimônio cultural e sociedade Pesquisadora voluntaria do Prolij - UNIVILLE


Um livro de imagem, inspirado na história de mesmo nome, de um conhecido francês, chamado Charles Perrault.


As imagens nos contam a história de forma direta e nos remetem ao próprio mundo de Perrault, o século XVII. As cenas são emolduradas por tons dourados e contrastantes, que sofrem interferências de motivos de estamparia da arte decorativa do período Barroco. Elas expõem símbolos de nobreza e refinamento.

Na capa do livro, é possível perceber a quietude e comprometimento da história. Existe algo de imerso em névoa, onde a moldura apresenta um possível alvorecer, mas a Bela adormecida é representada em puro negro, totalmente embebecida no sono, entregue aos braços de Morfeu. Seus cabelos escorrem ao chão e insinuam outros caminhos.

Um livro para leitores de todas as idades, com um projeto gráfico belíssimo, que nos mostra que nem tudo é o que parece ser e que podemos ser surpreendidos no meio do caminho por criaturas inesperadas, claudicantes pelo mundo, as quais podem alterar nossa história, contribuindo com ela ou não.


Livro: A Bela Adormecida


Autora: Taisa Borges

Livro de Imagem baseado no texto de Charles Perrault

Editora: Peirópolis, São Paulo. 2007



Andréa de Oliveira
Mestranda em Patrimônio Cultural e Sociedade
Pesquisadora Voluntária do Prolij




 

 

“Um grilo é mais importante do que um navio. Isso do ponto de vista dos grilos”. A frase de Manoel de Barros serve muito bem para discutir a proposta do livro. Dois sapos batendo papo de Mauricio Veneza, Editora Formato, 2005 que possui texto, ilustração e projeto gráfico do próprio autor.



A clássica história d’ O Rei Sapo, dos Irmãos Grimm, ganha outra versão na lagoa onde dois sapos amigos conversam. Expressando o seu parecer de sapo beijado e contrariando os padrões estéticos humanos, a narrativa constitui mais uma alternativa literária que se propõe a revisitar os antigos contos da tradição oral, hoje destinados, principalmente, ao público infantil. Uma obra imperdível para todos aqueles que sentem qualquer tipo de objeção pelos anfíbios verdinhos.



 
Por Cleber Fabiano da Silva

Pesquisador voluntário do PROLIJ- UNIVILLE

Ficha técnica:
Livro: Dois sapos batendo papo

Autor e ilustrador: Mauricio Veneza
Editora: Formato
Ano: 2005
Como quem procura um retrato, a princesa que não tinha reino do livro de mesmo nome de Ursula Jones, 2009, Ed. Caramelo livros educativos, estava a procurar seu espaço. Ela que já era considerada uma princesa, não tinha o que para alguns é essencial: um território.

Na companhia de seu pônei Lindinha, ela percorria grandes distâncias, visitava as pessoas e ganhava coisas que sabia muito bem como reaproveitar. Não era rica, mas tinha muita educação, inteligência e beleza, sabia ser solidária e educada com todos e tinha, acima de tudo, esperança e bom humor.

Uma preciosidade que chegava a assustar por ser tão diferente de outras princesas. Eis que em seu caminho aparecem sinais carregados de simbologia: um par de meias vermelhas, um esquecimento, um baile, uma ajuda. Pistas que iluminam sua jornada e a fazem encontrar seu reino da maneira mais descabida.

Uma princesa muito bem resolvida, com características pós-modernas, mas que realmente sabia o que queria.

As ilustrações são belíssimas e remetem- nos à arte barroca e ao Rococó decorativo. Não são delimitadas e estão em pleno equilíbrio com a história.

Um livro que emociona e faz suspirar com tanta graça e leveza, permitindo –nos entender que o essencial não está definitivamente ligado ao verbo ter.

Andréa de Oliveira
Mestranda em Patrimônio Cultural e Sociedade
Pesquisadora Voluntária do Prolij




Livro: A Princesa que não Tinha Reino

Autora: Úrsula Jones
Ilustrações: Sarah Gibb
Tradução: Lia Wyler
Editora: Caramelo livros educativos, São Paulo, 2009.

Encantar-se com os clássicos da literatura Infantil faz parte das vivências da maioria das crianças que desde muito cedo descobrem sentimentos do bem e do mal e a fragilidade das relações próprias dos seres humanos. Este clássico dos Irmãos Grimm, adaptado pela artista plástica Taísa Borges, em forma de narrativa visual, provoca um turbilhão de emoções à medida que o leitor mergulha em suas páginas. A artista utiliza como recurso um texto visual enriquecido plasticamente e aberto a múltiplas leituras. As imagens são carregadas de expressão e movimento, brincando com o jogo das cores que convidam o leitor a acompanhar as personagens nessa aventura literária.


Ficha técnica:

Livro: Narrativa visual - João e Maria
Autores: Irmãos Grimm – Adaptação: Taísa Borges
Editora: Peirópolos
Ano: 2005



Janice Mattei
Pesquisadora Voluntária do PROLIJ.


“ Ai as almas dos poetas

Não as entende ninguém

São almas de violetas

Que são poetas também.”

 
 
Há qualquer coisa de especial na paixão que sentimos por pessoas ou ambientes a julgar pelo modo com nos são apresentados. Não é tarefa fácil apresentar uma poeta como Florbela Espanca ao público jovem, nem mesmo possibilitar esse reencontro com quem já a conhece. No entanto, em Florbela Espanca – Antologia de Poemas para juventude, organização de Denyse Cantuária e sensível projeto gráfico de Iago Sartini, editora Peirópolis, 2008, ocorre esse fenômeno.

A impressão de quem é uma velha conhecida daquela alma feminina, presente no texto de abertura, prepara o leitor para uma empreitada rumo à poesia de portuguesa que se via diferente das outras pessoas no mundo. Com respeito ao espaço de contemplação de devaneio de leitor, cujas páginas devem conter nada mais que o choro, o riso e o canto do poeta, seguimos, para um pequeno encontro com retratos, manuscritos, lembranças, enfim, um baú de memórias que nos tornam visitantes-cúmplices do universo de Florbela. Perfeita indicação para quem tem “alma para sentir a dos poetas também”.


Por Cleber Fabiano da Silva

Pesquisador voluntário do PROLIJ- UNIVILLE



                                                     
                                                     FICHA TÉCNICA


Livro: Florbela Espanca – Antologia de poemas para juventude

Organização: Denyse Cantuária

Projeto gráfico: Iago Sartini

Editora: Peirópolis

Ano: 2008

 

Todos sabemos que o tempo nos traz sabedoria e paciência talvez, mas no caminho da existência aparecem perguntas que nem sempre podem ser respondidas. De onde viemos? Por que sofremos? Para onde vamos? Perguntas que nos intrigam e podem nos fazer espraiar respostas que não passam de suposições, reflexos de nossos desejos mais íntimos, mais profundos.

O livro A preciosa pergunta da pata, de Van den Berg, 2009, remete-nos a esse contexto onde uma pergunta feita pela pata que tinha perdido seu bem mais precioso, seu patinho, norteia todo o enredo.

Nem sempre o que foi perdido pode ser achado; algumas coisas são perenes e não se materializam mais, supostamente.

“Para onde vamos quando morrermos”? Pergunta a pata como quem exige um consolo, uma solução para sua dor. Lidar com as perdas é um fato a que estamos sujeitos. Existir tem dessas coisas.

No livro de Van den Berg, todos criam suas respostas para explicar o que lhes acontecerá após a morte: uns ficarão mais pesados e fortes, outros esperam leveza, a formiga deixará de trabalhar e quem sabe Branca de Neve possa ficar infinitamente deitada em seu aquário sonhando com seu príncipe.

Todos esperam alguma coisa ou anseiam reencontrar algo ou alguém. A preciosa pergunta da pata nos dá a impressão de que realmente estamos em trânsito, não podemos nos agarrar a nada e desconhecemos para onde vamos ou no que nos tornaremos. A incerteza é a única coisa que temos. Mas podemos imaginar como será estar na outra margem, transcender e poder bordar estrelas, escalar macieiras gigantes ou simplesmente sentir o alívio de termos encontrado o que nem sabíamos estar à procura: o retorno, o início de tudo.

Um livro filosófico que nos faz pensar no comportamento humano em relação à morte, mas acima de tudo nos faz lembrar que somos perenes e que talvez algumas perguntas devam realmente ficar sem respostas.


Livro: A preciosa pergunta da pata

Autora: Leen Van den Berg
Ilustração: Ann Ingelbeen
Tradução: De Vraag van Eend
Ed: Brinque-Book, São Paulo, 2009


Andréa de Oliveira
Mestranda em Patrimônio Cultural e Sociedade
Pesquisadora Voluntária do Prolij



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